
No entanto, para muitos analistas da Praça tal afirmação não poderia ter sido feita em melhor ocasião, pois já estava mais do que na hora de o MpD clarificar, sem tibiezas, a sua verdadeira atitude perante a questão da segurança nacional, pois “fica difícil entender um Partido que passa o tempo todo a falar de insegurança, mas ao mesmo tempo, não viabiliza as principias leis que tenham por objectivo por cobro a situações de delinquência juvenil e criminalidade”.
Mas em toda essa polémica o que acabou por ser mais caricato foi, sem dúvida, a reacção do líder da Bancada do MpD, Fernando Elísio Freire, que na ânsia de tentar tirar o máximo proveito da ocasião, exagerou na construção de um cenário de vitimização, acabando por dar um tiro no próprio pé. É que Fernando Elísio classificou o pronunciamento do Sr. Ministro Lívio Lopes como “uma tentativa grosseira de linchamento político do seu Partido” e, automaticamente, exigiu, por parte do Primeiro-Ministro, Dr. José Maria Neves, “a tomada de medidas que reparassem a honra dos Deputados, militantes, simpatizantes e amigos do MpD”. Só que perante semelhante arroubo, o Líder da Bancada do PAICV teve que lembrar ao Sr. Fernando Elísio que o linchamento político tem sido sempre uma arma recorrente do MpD ao longo da história passada e presente destas ilhas. Nos anos 90, por exemplo, foi o MpD quem tentou usar o processo de profanação das igrejas católicas para transformar o PAICV numa associação criminosa e, posteriormente, ilegalizar o Partido tambarina. Aliás, esta intenção de banir o PAICV do cenário político cabo-verdiano ficou bem plasmada no tristemente célebre artigo dado a estampa num dos números do extinto “Jornal Voz di Povo”, sob o sugestivo título “A ternura pelo inimigo” e assinado por um dos principais ideólogos do movimento.
Mesmo tendo o PAICV assumido os destinos de Cabo Verde, em 2001, o MpD nunca pôs de lado esta “forma de luta” altamente tenebrosa e perversa. O que mudou foi apenas a estratégia: já que se tinha revelado de todo impossível erradicar o PAICV da cena política cabo-verdiana, convinha então atacar toda e qualquer personalidade bem sucedida, afecta ou que tivesse qualquer tipo de simpatia por esta força política. Neste sentido, lembramos a cabala sórdida e imoral urdida à volta de um ex-ministro das Finanças dos governos do PAICV. E o que dizer dos ataques “terroristas” perpetrados pelos “rabentolas” contra o actual PCA da Bolsa de Valores, Veríssimo Pinto? Aqui caberá perguntar ao Sr. Fernando Elísio o porquê de ele nunca ter pedido a reparação da honra destas e de outras personalidades vilmente afrontadas nos órgãos de comunicação social a serviço do seu Partido. Será que quem é militante, amigo ou simpatizante do PAICV não tem direito a reparos de honra? A uma boa imagem? Então, por que carga d´água Vossa Excelência nunca dantes tinha falado sobre este assunto?
E, mais recentemente, o País foi surpreendido com o discurso sinistro e altamente preocupante do Dr. Carlos Veiga no encerramento da IX Convenção do MpD. Por um lado, porque ele deixou ameaças graves de revanchismo, prometendo, caso vier a ganhar as próximas eleições (cruz credo!), ajustar contas com dirigentes, militantes e eleitores do PAICV a quem qualificou de “lobos vestidos com pele de cordeiro” e completar, de vez, o trabalho que ficou inacabado nos anos 90! Isto em pleno século XXI e num País democraticamente consolidado! Por outro lado, porque prometeu, caso vier a ser Governo depois de 2011, “estar aberto ao aprofundamento do diálogo com os adversários”, até porque “os verdadeiros inimigos do MpD são a pobreza, o desemprego, o atraso, a incultura, o crime”.
Contraditório e altamente desconexo a verborreia lançada por Carlos Veiga, configurando um quadro notável de confusão mental. Afinal de contas em que é que ficamos? O Sr. vai ou não concretizar a ameaça de transformar Santa Luzia num “Arquipélago Gulag” para onde enviará todos os seus desafectos? O Sr. irá “aprofundar o diálogo com os seus adversários” (diga-se gente do PAICV) depois de acabar com todos eles? São algumas questões que ficam no ar.
Por: Jorge Garcia
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